
Quando a maioria das pessoas pensa em criptoativos, pensa em volatilidade. Bitcoin subindo 20% em uma semana. Altcoins despencando em um dia. Um mercado que parece impossível de usar para qualquer coisa que exija previsibilidade de valor.
Stablecoins existem exatamente para resolver esse problema.
São criptoativos projetados para manter um valor estável — geralmente indexados ao dólar americano — e que combinam a praticidade da infraestrutura cripto com a previsibilidade de uma moeda fiduciária. Para empresas que precisam de eficiência em pagamentos internacionais, gestão de tesouraria ou operações B2B com exposição cambial, esse é um ativo que merece atenção séria.
O que é uma stablecoin
Stablecoin é um criptoativo cujo valor é projetado para permanecer estável em relação a um ativo de referência — na maioria dos casos, o dólar americano.
Diferente do Bitcoin, que não tem nenhum mecanismo de controle de preço e flutua conforme a oferta e demanda do mercado, uma stablecoin tem mecanismos embutidos para manter a paridade com o ativo de referência. O detentor de 1 USDT ou 1 USDC pode razoavelmente esperar que esse token continue valendo 1 dólar — independentemente do que o mercado cripto esteja fazendo.
Isso transforma a stablecoin em algo funcionalmente diferente do restante do mercado cripto. Não é um ativo especulativo. É uma representação digital do dólar — com a capacidade de se mover pela infraestrutura blockchain com a mesma velocidade e programabilidade de qualquer outro criptoativo.
Como stablecoins mantêm a paridade com o dólar
Existem três modelos principais de stablecoin, cada um com um mecanismo diferente para manter a estabilidade de preço:
Lastreadas em reservas fiduciárias O modelo mais simples e mais usado. Para cada token emitido, o emissor mantém um dólar — ou equivalente em ativos de alta liquidez — em reserva. USDT e USDC funcionam assim. Se existem 100 bilhões de USDT em circulação, a Tether — empresa emissora — afirma manter reservas equivalentes.
A estabilidade depende da confiança nas reservas do emissor e na qualidade dos ativos que as compõem. Por isso a transparência e a auditoria das reservas são temas centrais na avaliação de qual stablecoin usar.
Lastreadas em criptoativos O token é colateralizado por outros criptoativos — geralmente com sobrecolateralização para absorver a volatilidade do colateral. DAI é o exemplo mais conhecido. Mais descentralizado, mas também mais complexo e com risco de descolamento em cenários de estresse de mercado.
Algorítmicas Sem reservas físicas — a paridade é mantida por algoritmos que controlam a oferta do token. O colapso da UST em 2022 mostrou os riscos estruturais desse modelo. Hoje esse modelo perdeu relevância no mercado institucional.
Para uso corporativo e institucional, o mercado converge para stablecoins lastreadas em reservas fiduciárias — especificamente USDT e USDC, que concentram a maior parte do volume global.
USDT vs USDC: diferenças, perfis de uso e qual escolher
USDT e USDC são as duas stablecoins de maior liquidez e volume no mercado global. As duas mantêm paridade com o dólar e funcionam em múltiplas redes blockchain. Mas têm diferenças relevantes que importam para quem está escolhendo qual usar em operações corporativas.
USDT — Tether É a stablecoin mais antiga e de maior volume global. Emitida pela Tether Limited, opera em dezenas de blockchains e tem a maior liquidez do mercado — o que significa spreads menores e execução mais eficiente em grandes volumes.
A principal crítica histórica ao USDT é a falta de transparência total sobre a composição das reservas. A Tether publica atestados periódicos, mas não auditorias completas por Big Four — o que gera alguma desconfiança em círculos institucionais mais conservadores.
Para operações onde liquidez e spreads são prioritários, o USDT ainda é a escolha dominante.
USDC — Circle Emitida pela Circle, em parceria com a Coinbase. Tem um histórico mais transparente de auditoria das reservas — publicadas mensalmente por firma independente — e é amplamente considerada a stablecoin de maior conformidade regulatória do mercado.
Tem liquidez ligeiramente menor que o USDT em alguns mercados, mas é a preferência de empresas e instituições que colocam compliance e transparência acima de tudo.
Para operações onde conformidade regulatória e transparência de reservas são prioritárias, o USDC tende a ser a escolha.
Na prática: a maioria das empresas que opera em volume usa os dois — USDT para liquidez em mercados onde ele domina, USDC para operações onde a robustez regulatória é exigida por parceiros ou auditores.
Por que empresas estão usando stablecoins em operações B2B
A adoção de stablecoins em operações corporativas não é uma tendência especulativa. É uma resposta prática a problemas concretos que o sistema financeiro tradicional resolve de forma ineficiente — especialmente em operações internacionais.
Remessas internacionais Enviar dinheiro entre países via sistema bancário tradicional envolve correspondentes bancários, taxas de câmbio com spread embutido, prazos de liquidação de dias úteis e falta de rastreabilidade em tempo real.
Com stablecoins, a transferência acontece na blockchain — sem intermediários, com liquidação em minutos, com rastreabilidade completa e com custos operacionais significativamente menores. Para empresas com fornecedores, parceiros ou operações em múltiplos países, a eficiência é imediata.
Pagamento de fornecedores internacionais Empresas que pagam fornecedores no exterior — especialmente em mercados emergentes ou em países com sistemas bancários menos desenvolvidos — encontram nas stablecoins uma alternativa mais eficiente do que o wire transfer tradicional.
O fornecedor recebe USDT ou USDC diretamente na carteira — sem precisar de conta bancária em banco correspondente, sem taxa de intermediação, sem prazo de compensação.
Hedge cambial Empresas com receitas em real e obrigações em dólar — ou vice-versa — usam stablecoins como instrumento de proteção cambial. Converter reais para USDC em momentos de dólar mais baixo e manter a posição até o pagamento da obrigação é uma estratégia de hedge mais ágil e com menor custo operacional do que os instrumentos tradicionais.
Tesouraria internacional Empresas com operações em múltiplos países usam stablecoins como ativo de reserva na tesouraria — permitindo movimentar valor entre geografias com eficiência, sem depender da abertura de contas bancárias locais em cada país.
Liquidação de operações cripto Para exchanges, fintechs e PSAVs que operam no mercado cripto, stablecoins são o ativo de settlement natural — a moeda de liquidação entre as pontas de uma transação cripto e o sistema financeiro fiat.
Os desafios de operar stablecoins em grande volume
Para empresas que usam stablecoins em operações recorrentes e de alto volume, os desafios operacionais são específicos e precisam de infraestrutura adequada para serem resolvidos.
Liquidez em escala Comprar ou vender grandes volumes de USDT ou USDC no book público de uma exchange gera slippage — o mesmo problema de qualquer criptoativo em operações de alto ticket. Para operações corporativas onde o preço de execução precisa ser previsível, o acesso a liquidez institucional fora do book público é essencial.
Settlement eficiente A conversão entre real e stablecoin — ou entre stablecoin e outros criptoativos — envolve múltiplas etapas que precisam funcionar com eficiência e rastreabilidade. Um provedor que coordena esse processo de ponta a ponta reduz a fricção operacional de forma significativa.
Compliance e rastreabilidade Operações com stablecoins em volume precisam de rastreabilidade completa para fins contábeis, fiscais e de compliance com PLD/FT. Isso exige infraestrutura de conciliação e relatórios que vai além do que a maioria das exchanges oferece.
Risco de contraparte Em transações de alto valor, o risco de contraparte — a possibilidade de que a outra parte não honre o compromisso — precisa ser gerenciado. Provedores institucionais com estrutura de compliance e histórico de operação reduzem esse risco de forma estrutural.
Como acessar liquidez institucional no Brasil
Para empresas que operam stablecoins em volume relevante no Brasil, a Azify oferece acesso a liquidez institucional em USDT e USDC via LaaS — Liquidity as a Service.
A operação acontece em ambiente privado, fora do book público, com cotação em tempo real, execução eficiente e settlement coordenado pela Azify. A empresa envia a ordem via API — ou pelo canal operacional acordado — e recebe o ativo na carteira especificada após a liquidação, com rastreabilidade completa da operação.
A infraestrutura já tem o compliance embutido — KYC, PLD/FT e rastreabilidade de transações — dentro do framework regulatório brasileiro. Isso significa que a empresa acessa liquidez institucional sem precisar construir essa estrutura do zero.
Para entender como funciona o processo completo de on ramp e off ramp — conversão entre real e stablecoins em operações B2B — leia: On ramp e off ramp em criptoativos: como funciona a conversão fiat↔cripto em escala para empresas
Regulação de stablecoins no Brasil
O Banco Central brasileiro tem monitorado de perto o uso de stablecoins — especialmente em operações que se assemelam a câmbio, onde reais são convertidos em ativos indexados ao dólar.
O marco legal dos criptoativos — Lei 14.478/2022 — incluiu stablecoins no escopo da regulação de ativos virtuais, submetendo as empresas que as emitem ou intermediam à supervisão do Banco Central. As regras específicas para stablecoins ainda estão sendo definidas em fases, mas a direção é clara: operações com stablecoins em volume relevante vão exigir conformidade com o framework regulatório de ativos virtuais.
Para empresas que operam ou pretendem operar com stablecoins em escala, isso reforça a importância de escolher provedores de infraestrutura que já operam dentro do framework regulatório — e que têm estrutura de compliance adequada para absorver as mudanças que ainda virão.
Para um panorama completo do ambiente regulatório para empresas que operam com criptoativos no Brasil, leia: Criptoativos no Brasil: o que a regulamentação exige de empresas que operam ativos digitais
O que avaliar antes de usar stablecoins em operações corporativas
Se a sua empresa está avaliando incorporar stablecoins em operações B2B, algumas perguntas ajudam a estruturar a decisão:
Qual stablecoin faz mais sentido para o seu caso? USDT para máxima liquidez, USDC para máxima conformidade regulatória — ou os dois, dependendo da operação.
Qual é o volume esperado? Operações abaixo de um determinado volume podem ser executadas via exchange convencional. Acima disso, liquidez institucional via LaaS tende a ser mais eficiente.
Como vai funcionar o settlement? A conversão entre real e stablecoin precisa estar mapeada do ponto de entrada ao ponto de saída — com clareza sobre prazos, taxas e rastreabilidade.
Qual é a estrutura de compliance? As operações precisam ser rastreáveis, conciliáveis e auditáveis. O provedor escolhido tem infraestrutura para isso?
Qual é a solidez do provedor? Em operações de alto valor, a solidez financeira e operacional do provedor é tão importante quanto o spread oferecido.
Próximos passos
Las stablecoins ya son una realidad operativa para las empresas que necesitan eficiencia en pagos internacionales, tesorería y operaciones B2B con exposición cambiaria. El mercado brasileño está madurando rápidamente — y la infraestructura para operar stablecoins a escala, de forma eficiente y en cumplimiento, ya existe.
Si su empresa opera o está evaluando operar con USDT o USDC en un volumen relevante y desea entender cómo el LaaS de Azify puede hacer que esta operación sea más eficiente, hable con nuestro equipo.



