Tokenização de ativos: o que é, como funciona e qual o papel da liquidez nesse mercado

Tokenização de ativos: o que é, como funciona e qual o papel da liquidez nesse mercado

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Tokenização é um dos termos mais usados no mercado financeiro brasileiro nos últimos dois anos — e um dos mais mal explicados.

A maioria das conversas sobre o tema foca na parte técnica: blockchain, smart contracts, tokens. Pouco se fala sobre o problema que vem depois de tokenizar um ativo — e que é, na prática, o gargalo que determina se um projeto de tokenização vai funcionar ou não.

Esse problema é a liquidez.

Este artigo explica o que é tokenização, como funciona na prática, quais ativos fazem sentido tokenizar — e por que dar liquidez a um ativo tokenizado é mais complexo e mais estratégico do que o mercado costuma admitir.

O que é tokenização

Tokenizar um ativo significa representá-lo digitalmente em uma blockchain na forma de um token — um registro criptográfico que comprova a propriedade, as características e as regras de transferência daquele ativo.

O token não é o ativo em si. É uma representação digital dele, com a mesma validade jurídica e econômica — desde que a estrutura legal esteja corretamente montada.

A analogia mais direta: uma escritura de imóvel é um documento que representa a propriedade de um bem. O imóvel continua existindo fisicamente. A escritura é o registro que prova quem é o dono e permite a transferência de propriedade. Um token faz a mesma coisa — mas em formato digital, em uma blockchain, com transferência programável e rastreabilidade automática.

Como um ativo real vira um token digital

O processo de tokenização envolve três etapas principais:

Estruturação jurídica Antes de qualquer linha de código, é preciso definir a estrutura legal do token. O que ele representa exatamente — propriedade direta, cota de fundo, direito contratual, fração de recebível? Quais são os direitos do detentor — rendimento, voto, resgate? Como é tratado em caso de inadimplência ou liquidação do emissor?

Essa etapa é onde a maioria dos projetos de tokenização é mais frágil. A tecnologia é a parte mais simples. A estrutura jurídica é onde está o risco real.

Emissão do token Com a estrutura jurídica definida, o ativo é registrado em uma blockchain — pública ou privada, dependendo do caso de uso. Um smart contract define as regras do token: quem pode comprar, como transferir, quando resgatar, como distribuir rendimentos.

O token é emitido em uma quantidade que representa as frações do ativo subjacente. Um imóvel de 1 milhão de reais pode ser representado por 1.000 tokens de 1.000 reais cada — permitindo que múltiplos investidores detenham frações do mesmo ativo.

Custódia e governança O ativo subjacente precisa estar custodiado de forma segura e auditável. Se é um imóvel, a escritura precisa estar registrada em nome de uma estrutura que garanta os direitos dos detentores dos tokens. Se é um recebível, o contrato original precisa estar custodiado. Se é ouro físico, o metal precisa estar em um cofre auditado.

A qualidade da custódia e da governança é o que determina se o token tem valor real — ou se é apenas um registro digital sem lastro confiável.

Quais ativos podem ser tokenizados

A resposta teórica é: qualquer ativo com valor econômico e estrutura jurídica adequada. Na prática, os casos de uso mais desenvolvidos no Brasil são:

Recebíveis e crédito privado Duplicatas, CCBs, CRIs, CRAs tokenizados. Permitem que investidores acessem crédito privado em frações menores, com liquidação automática via smart contract. É o segmento mais maduro no Brasil hoje.

Fundos de investimento Cotas de fundos representadas como tokens — com transferência peer-to-peer, distribuição automática de rendimentos e rastreabilidade total de movimentação.

Imóveis Fracionamento de propriedades em tokens, permitindo que múltiplos investidores detenham partes de um mesmo imóvel. Ainda em estágio inicial no Brasil, mas com interesse crescente de incorporadoras e fundos imobiliários.

Commodities Ouro, café, soja tokenizados — com o ativo físico custodiado por um terceiro auditado e o token representando o direito sobre aquela quantidade do ativo.

Títulos públicos e privados O Banco Central brasileiro conduziu experimentos com tokenização de títulos públicos no âmbito do projeto Drex — o real digital. É um dos desenvolvimentos regulatórios mais relevantes para o futuro do mercado de ativos tokenizados no Brasil.

RWA (Real World Assets) Termo guarda-chuva para qualquer ativo do mundo real representado em blockchain. É o conceito que tem atraído mais atenção do mercado global de cripto nos últimos dois anos — com fundos como BlackRock e Franklin Templeton lançando produtos de RWA tokenizados.

O mercado de tokenização no Brasil

O Brasil está em uma posição privilegiada no mercado global de tokenização — não por acidente, mas por uma combinação de fatores regulatórios e de infraestrutura.

O Banco Central conduziu o projeto Drex — o real digital — como uma plataforma de infraestrutura para liquidação de ativos tokenizados. A ideia central é criar um ambiente onde títulos, recebíveis e outros ativos financeiros possam ser negociados e liquidados de forma programável, usando o real digital como moeda de settlement.

A CVM — Comissão de Valores Mobiliários — publicou regulamentação específica para tokens de valores mobiliários, criando um framework legal para a emissão e negociação de ativos tokenizados dentro do sistema financeiro regulado.

O resultado é que o Brasil tem, hoje, um dos ambientes regulatórios mais avançados do mundo para tokenização de ativos financeiros — o que explica o crescimento acelerado de projetos no setor nos últimos dois anos.

Para entender o ambiente regulatório completo para empresas que operam com ativos digitais no Brasil, leia: Criptoativos no Brasil: o que a regulamentação exige de empresas que operam ativos digitais

O problema que ninguém fala: tokenizar é fácil, dar liquidez ao token é difícil

Aqui está o ponto que a maioria das apresentações sobre tokenização omite — ou menciona de passagem, como se fosse um detalhe técnico.

Tokenizar um ativo resolve o problema da representação digital e do fracionamento. Não resolve o problema da liquidez.

Liquidez significa que existe um mercado ativo onde o detentor do token consegue vender quando quiser, a um preço justo, sem ter que esperar semanas por um comprador. É o que transforma um token de um registro digital interessante em um ativo financeiro de fato útil.

E esse é exatamente o problema que a maioria dos projetos de tokenização enfrenta depois do lançamento.

O token foi emitido. A estrutura jurídica está montada. Os primeiros investidores compraram. E agora? Onde eles vendem quando precisam de liquidez? Quem faz a contraparte? A que preço?

Sem um mercado secundário ativo — ou sem um provedor de liquidez que faça a contraparte das negociações — o token é um ativo ilíquido com embalagem digital. Melhor do que o ativo original em alguns aspectos, mas ainda longe do que promete.

Como funciona a liquidez em ativos tokenizados

Existem três modelos principais para dar liquidez a ativos tokenizados:

Mercado secundário em plataforma própria O emissor cria uma plataforma onde os detentores dos tokens podem negociar entre si. O modelo funciona se houver volume suficiente de compradores e vendedores ativos — o que exige uma base grande de investidores e um ativo com demanda recorrente.

Listagem em exchanges de ativos digitais O token é listado em uma exchange — pública ou institucional — onde qualquer participante pode comprar e vender. Resolve o problema de visibilidade, mas exige que o token esteja dentro do framework regulatório aceito pela exchange e que haja demanda suficiente para manter o book ativo.

Provedor de liquidez institucional Um terceiro especializado se compromete a fazer a contraparte das negociações — comprando quando o detentor quer vender e vendendo quando o investidor quer comprar — dentro de spreads pré-acordados. É o modelo mais robusto para ativos tokenizados que ainda não têm volume suficiente para sustentar um mercado secundário orgânico.

Esse terceiro modelo é onde a infraestrutura de liquidez institucional — como o LaaS — se torna relevante para o ecossistema de tokenização.

O papel de um provedor de liquidez institucional no mercado de ativos tokenizados

Um provedor de liquidez institucional no contexto de ativos tokenizados cumpre um papel que vai além da simples execução de ordens. Ele é o que transforma um token de um instrumento de nicho em um ativo com mercado real.

Na prática, isso significa:

Cotação contínua: o provedor oferece preços de compra e venda em tempo real, garantindo que sempre existe uma contraparte disponível — independentemente do volume de negociação orgânico no mercado secundário.

Execução em bloco: para ordens grandes, o provedor executa em ambiente privado, sem impactar o preço do token no mercado secundário — o mesmo princípio da execução OTC aplicado ao contexto de ativos tokenizados.

Settlement eficiente: a liquidação da operação — troca do token pelo ativo de settlement, seja fiat ou stablecoin — é coordenada pelo provedor com rastreabilidade e dentro de prazos previsíveis.

Profundidade de mercado: o provedor mantém reservas suficientes para absorver ordens relevantes sem criar volatilidade artificial no preço do token.

Como o LaaS da Azify endereça o problema de liquidez em ativos digitais

A Azify oferece infraestrutura de liquidez institucional para empresas que operam com ativos digitais — incluindo criptoativos e o ecossistema crescente de ativos tokenizados no Brasil.

Por meio do LaaS, plataformas de tokenização, exchanges de ativos digitais e emissores de tokens podem acessar liquidez institucional em Bitcoin, USDT e USDC via API — com execução privada, settlement coordenado e compliance embutido.

Para projetos de tokenização que precisam de liquidez para o mercado secundário dos tokens, isso significa acesso a uma infraestrutura que já está em operação, já tem os provedores de liquidez conectados e já tem os processos de compliance implementados — sem a necessidade de construir essa estrutura do zero.

A Azify é o braço de tecnologia financeira da Azimut — gestora com mais de US$ 150 bilhões em ativos sob gestão e presença em 19 países — o que garante a solidez institucional necessária para esse tipo de operação.

Para entender como funciona o acesso a liquidez institucional via API e o que está por trás de uma operação de LaaS, volte ao nosso guia principal: Liquidez institucional em criptoativos: o guia completo para empresas que operam em escala no Brasil

O que avaliar antes de tokenizar um ativo

Se você está avaliando um projeto de tokenização — como emissor, como plataforma ou como investidor — estas perguntas ajudam a separar projetos sólidos de projetos que vão enfrentar o problema de liquidez sem solução:

Qual é a estratégia de liquidez do token? Se a resposta for vaga — "vamos criar um mercado secundário" sem especificar como — é um sinal de alerta.

Quem vai fazer a contraparte das negociações no mercado secundário? Sem um formador de mercado ou provedor de liquidez comprometido, o mercado secundário vai ser raso ou inexistente.

Como o settlement funciona? Em qual ativo o investidor recebe quando vende — fiat, stablecoin, outro token? Em qual prazo? Com qual rastreabilidade?

Qual é o volume mínimo de negociação para o mercado secundário funcionar? Se o projeto precisa de 10.000 investidores ativos para ter liquidez e tem 500, o problema vai aparecer.

A estrutura de liquidez escala? O que funciona para os primeiros investidores precisa funcionar quando o token tiver mil detentores querendo negociar simultaneamente.

Próximos passos

La tokenizzazione è una delle trasformazioni più rilevanti del mercato finanziario brasiliano — e continuerà a crescere man mano che il Drex avanza e il quadro normativo matura.

Ma il successo di un progetto di tokenizzazione non si misura dal token emesso. Si misura dalla liquidità che questo token ha sul mercato secondario — dalla reale capacità dell'investitore di entrare e uscire quando vuole, a un prezzo equo.

Se la tua azienda sta sviluppando un progetto di tokenizzazione e vuole capire come strutturare la liquidità del mercato secondario, o se operi con asset digitali e hai bisogno di un'infrastruttura di liquidità istituzionale, contatta il team di Azify.

→ Parla con uno specialista di Azify

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