Consolidação do mercado financeiro brasileiro: o que esperar dos próximos anos

Consolidação do mercado financeiro brasileiro: o que esperar dos próximos anos

prazos para PSAVs

Depois de uma década de proliferação — centenas de novas fintechs surgindo a cada ano, disputando espaço a golpes de captação e crescimento acelerado —, o mercado financeiro brasileiro entrou em uma fase diferente.

Os números de M&A confirmam a virada. Segundo a Pesquisa Fusões e Aquisições da KPMG, o Brasil fechou 2025 com 1.581 transações, praticamente estável em relação a 2024.

Mas o valor financeiro contou outra história: US$ 51 bilhões movimentados, um crescimento de 8% sobre o ano anterior, segundo a Bain & Company. Estabilidade em quantidade, mas crescimento em tamanho médio de operação.

Esse é o retrato de uma consolidação em curso: menos empresas entrando no jogo, mais capital concentrado nas que ficam. Este artigo mapeia as forças por trás desse movimento e o que elas sugerem para os próximos anos.

As forças de consolidação

Quatro fatores, combinados, explicam por que o mercado está se reorganizando:

Capital mais escasso e seletivo. Como já detalhamos no artigo sobre o mercado de fintechs no Brasil, o financiamento a startups brasileiras caiu 76% no primeiro semestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Empresas sem caminho claro para rentabilidade encontram cada vez mais dificuldade para captar uma próxima rodada — o que empurra parte delas para serem compradas em vez de continuarem operando sozinhas.

Régua regulatória mais alta. Segundo executivos da Init citados pela Finsiders Brasil, o aumento das exigências do Banco Central deve funcionar simultaneamente como barreira de entrada para novos players e como fator de seleção natural entre os que já operam — tendência que, na visão do mercado, deve se traduzir em mais fusões e aquisições.

Exigência de capital mínimo mais rígida. Um exemplo concreto: segundo a Fitch, o patrimônio mínimo exigido de financeiras (SCFI) deve variar entre R$ 26 milhões e R$ 60 milhões, com implementação prevista entre julho deste ano e janeiro de 2028. Fintechs que não conseguirem esse reforço de capital — via geração interna, aporte de acionistas ou operação de M&A — podem ser levadas a vender ativos ou encerrar atividades.

Competição crescente por escala. Com mais de 2 mil fintechs mapeadas no país, muitas competindo por nichos parecidos, ganhar escala via aquisição costuma ser mais rápido — e mais barato — do que crescer organicamente do zero.

M&As no mercado financeiro: o que as transações recentes revelam

O movimento de fusões e aquisições no setor financeiro brasileiro tem uma característica dupla, segundo a Bain & Company: de um lado, bancos tradicionais comprando fintechs para incorporar tecnologia e novos modelos de negócio; de outro, fintechs crescendo por meio de aquisições, para ampliar portfólio e base de clientes rapidamente.

Esse segundo movimento, aliás, é mais intenso do que normalmente se imagina. Um levantamento da plataforma Distrito mostrou que, em 2024, 52% dos M&As no ecossistema latino-americano de fintechs foram feitos pelas próprias startups — não por bancos ou investidores tradicionais. Ou seja: a consolidação não é só "grande engolindo pequeno". É, com bastante frequência, fintech comprando fintech para ganhar escala mais rápido.

Globalmente, o setor de serviços financeiros também puxou o mercado de M&A: crescimento de 57% em valor no segmento em 2025, segundo a Bain, com o Brasil acompanhando esse movimento principalmente nos segmentos de pagamentos e crédito digital.

Bancos comprando fintechs vs. fintechs virando bancos

A consolidação do setor caminha nas duas direções ao mesmo tempo — e vale entender o que cada uma significa.

Bancos comprando fintechs buscam, principalmente, velocidade: incorporar tecnologia, equipe e modelo de negócio que levariam anos para desenvolver internamente. É um movimento historicamente mais lento no Brasil do que em outros mercados — mas que já tem precedentes conhecidos, como a compra da ContaSuper pelo Santander ainda em 2016, um dos primeiros sinais desse tipo de interesse.

Fintechs virando bancos seguem o caminho inverso: buscar licença própria (banco múltiplo, SCD, SCFI) para reduzir dependência de parceiros, baratear o custo de capital e ganhar autonomia operacional. Já vimos esse padrão se repetir em dois exemplos centrais neste conjunto de artigos — o Nubank, que evoluiu de instituição de pagamento para banco completo, e o PicPay, que reorganizou sua estrutura societária para operar como banco múltiplo, como detalhamos no artigo sobre super apps financeiros.

Uma tendência mais recente reforça esse segundo caminho: segundo a Finsiders Brasil, o número de SCFIs reguladas cresceu 50% em dez anos, com fintechs de crédito buscando essa licença especificamente para diversificar fontes de captação e reduzir custo de funding — um movimento que tende a continuar puxando fusões e aquisições no setor.

O que acontece com as fintechs menores

Nem toda fintech pequena está fadada a ser comprada ou fechar as portas — mas o caminho fica mais estreito.

Fintechs menores com um nicho verdadeiramente defensável — um segmento específico com dados proprietários difíceis de replicar, como vimos nos casos de crédito rural digital ou crédito para prestadores de logística — têm mais chance de sobreviver de forma independente, mesmo em um mercado mais consolidado.

Já fintechs genéricas, competindo em categorias já disputadas por players maiores (conta digital sem diferenciação clara, por exemplo), tendem a ser as mais vulneráveis: ou se fundem horizontalmente com concorrentes parecidos para ganhar escala, ou se tornam alvo de aquisição por um player maior interessado apenas na base de clientes.

O aumento da exigência de capital mínimo para financeiras reforça essa pressão: fintechs de crédito menores, sem geração de caixa suficiente para atingir os novos patamares regulatórios, estarão entre as mais expostas a esse tipo de decisão nos próximos anos.

A entrada de players globais

O apetite por fintechs brasileiras não vem só de dentro do país. O interesse de capital estrangeiro em fintechs brasileiras vem crescendo de forma consistente nos últimos anos, segundo monitoramento do setor — parte de um movimento mais amplo em que investidores internacionais olham o Brasil como o mercado fintech mais maduro e líquido da América Latina.

Do lado dos bancos tradicionais, o tom também mudou. Durante um evento recente do setor, um executivo do Santander reforçou publicamente que o banco não enxerga fintechs como concorrentes, mas como potenciais parceiras — sinal de que a lógica de disputa direta vem cedendo espaço, em parte, para parcerias estratégicas e aquisições colaborativas, não apenas hostis.

O mapa do setor nos próximos anos

Juntando os sinais dos dados mais recentes, alguns padrões devem se consolidar:

Menos rodadas, tickets maiores. A tendência observada em 2025 — menos operações de investimento, mas volume financeiro concentrado nas de maior porte — deve seguir sendo o padrão dominante, tanto em venture capital quanto em M&A.

Fintech comprando fintech continua crescendo. Com mais da metade dos M&As do setor já sendo protagonizados pelas próprias startups, esse deve seguir sendo o principal motor de consolidação, mais do que compras por bancos tradicionais.

Licenciamento próprio como estratégia defensiva. Buscar SCD, SCFI ou banco múltiplo deixa de ser diferencial e passa a ser, para fintechs de médio porte, uma forma de se proteger de ficar dependente demais de parceiros — e de se tornar alvo fácil de aquisição.

Nichos defensáveis sobrevivem; genéricos se fundem. A pressão de consolidação deve continuar empurrando fintechs sem diferenciação clara para fusões horizontais, enquanto operações com dados proprietários e contexto setorial específico — como os casos que exploramos ao longo deste blog, de agro a logística — mantêm mais espaço de sobrevivência independente.

Consolidação é sinal de maturidade

O movimento que o mercado financeiro brasileiro vive hoje não deve ser lido como um sinal de que o setor perdeu fôlego. É o contrário: é o que normalmente acontece quando um mercado deixa de recompensar crescimento a qualquer custo e passa a recompensar quem consegue mostrar modelo de negócio sustentável, capital bem estruturado e escala real.

Para quem constrói ou avalia negócios no setor, entender essas forças — regulação mais exigente, capital mais seletivo, consolidação entre pares — é o que separa uma estratégia reativa de uma estratégia que já nasce preparada para o mercado que está se formando.

Quer estruturar seu produto financeiro com a solidez que o mercado atual exige?

A Azify oferece a infraestrutura de Banking as a Service com a governança e a segurança regulatória que fintechs e empresas precisam para crescer de forma sustentável neste cenário.

Fale com a nossa equipe e entenda como estruturar o seu produto.

Read also

Read also

Read also

Ready to get started?

Anticipate the market, lead the movement. Start today.

Discover how to transform your operation into a complete financial platform — with proprietary technology, digital assets, and integrated compliance.

Ready to get started?

Anticipate the market, lead the movement. Start today.

Discover how to transform your operation into a complete financial platform — with proprietary technology, digital assets, and integrated compliance.

Ready to get started?

Anticipate the market, lead the movement. Start today.

Discover how to transform your operation into a complete financial platform — with proprietary technology, digital assets, and integrated compliance.